Conversa de Joesley congelou debate sobre Previdência

O presidente Michel Temer, em 17 de maio, expulsou a reforma.

O presidente Michel Temer, em 17 de maio, expulsou a reforma da Previdência do debate na Câmara dos Deputados.

Na terceira semana de maio, o tema havia sido mencionado 102 vezes no plenário da Casa —comissão especial havia votado versão negociada do texto no dia 9.

As menções caíram para 49 após a delação de Joesley. Em junho, despencaram para 20 vezes por semana; na semana que antecedeu o recesso de inverno, só 4 discursos falaram da proposta. 

O levantamento —feito nos 22.746 discursos dos últimos 12 meses— mostra mudança da pauta política, diz o economista Pedro Nery, consultor legislativo do Senado.

COMO ESTÁ A REFORMA

A proposta de reforma da Previdência foi encaminhada ao Congresso em dezembro do ano passado, com a justificativa de que o sistema atual, já deficitário, será insustentável com o envelhecimento da população. O número de pessoas em idade de trabalhar para cada pessoa em idade de se aposentar, que hoje é de 8,5, deve cair para 2,5 até 2060, segundo previsões.

No sistema atual, trabalhadores privados se aposentam precocemente e parte dos servidores têm benefícios não limitados pelo teto do INSS.

O Brasil gastou R$ 819 bilhões com benefícios previdenciários em 2016, o equivalente a 13% do PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, de tudo que o país produziu. As previsões do governo são de que o deficit alcançará R$ 184 bilhões neste ano.

O projeto original previa idade mínima de 65 anos e teto para todos os trabalhadores dos setores público e privado, entre outras medidas.

A comissão especial aprovou um texto com alterações, entre elas idade mínima menor para mulheres (para 62 anos) e professores (60 anos) e outra regra de transição.

Como modifica a Constituição, a reforma precisa ser aprovada em plenário em dois turnos, por ao menos 308 votos dos 513 deputados.

Fonte: Paraíba

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