Paulo Guedes diz que parasita é o Estado, não o servidor público

Ministro buscou mais uma vez justificar a frase em que comparou o servidor que reivindica reajuste em tempo de crise fiscal a um parasita

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a dizer, nesta quarta-feira (12/2), que foi mal interpretado ao usar o termo "parasita" para defender as reformas econômicas. Ele alegou que, quando os gastos com salários impedem o Estado de investir em saúde e educação, o parasita é o Estado, e não os servidores. 

"Eu não disse nada disso (que o servidor é um parasita). Eu estava dando o exemplo de quando os gastos com funcionalismo devoram 95%, 96%, 100% das receitas. Tem município chegando a essa situação. Então, o Estado que está virando parasitário. O cara que me referi foi o Estado", alegou Guedes, em seminário promovido pelo Grupo Voto em Brasília.

"Tive que pedir desculpa. Mas não é o indivíduo. As pessoas são sérias, batem o ponto, merecem respeito. Estou falando do ente federativo", complementou.

O ministro se referiu a uma polêmica declaração que deu na sexta-feira passada, no Rio de Janeiro. "O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação. Tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita. Dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático. Não dá mais", disse na ocasião.

PEC Emergencial
No seminário desta quarta-feira, Guedes defendeu que a forma de corrigir tais distorções é a PEC Emergencial, pois a reforma administrativa não vai mexer nos direitos adquiridos dos atuais servidores e trará novas regras apenas para futuros servidores. A PEC prevê a suspensão de reajustes e promoções do funcionalismo público em caso de emergência fiscal.

O secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Paulo Uebel, por sua vez, afirmou que a reforma administrava ainda está em estudo na pasta. "O governo está avaliando o melhor timing político", afirmou Uebel nesta quarta-feira (12), sugerindo que o governo não desistiu da medida, só adiou novamente o seu envio para o Congresso.

Fonte: Correio Braziliense

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