A forte recessão e a mudança de nível do dólar nos últimos dois anos provocaram um enorme ajuste nas contas

A forte recessão e a mudança de nível do dólar nos últimos dois anos provocaram um enorme ajuste nas contas externas, que saíram do rombo recorde de US$ 104,181 bilhões em 2014 para um déficit estimado em US$ 15 bilhões este ano, segundo previsões da pesquisa Focus. Mais recentemente, no entanto, a estabilização e expectativa de melhora da economia e o recente recuo do dólar podem indicar o início do fim do ajuste externo, dizem analistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

O Banco Central informou hoje que o déficit em transações correntes ficou em US$ 2,479 bilhões em junho, após dois meses de superávit. Mais do que ter vindo muito pior do que as estimativas (o intervalo do Projeções Broadcast ia de -US$ 1,8 bilhão a -US$ 100 milhões, com mediana de US$ -1,5 bilhão), o dado pode indicar o começo de uma nova trajetória para as contas externas. O próprio chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse que a valorização do real nos últimos meses e os sinais de estabilização da atividade econômica levam a uma previsão de que o ajuste das contas externas venha em ritmo mais lento no segundo semestre.

Essa visão é corroborada pelo economista da GO Associados Luiz Fernando Castelli, que chama atenção para o déficit de US$ 3,594 bilhões na conta de serviços. Segundo ele, esse saldo negativo pode estar associado ao início da recuperação econômica, na esteira de importações do setor industrial. O economista não descarta a possibilidade de o déficit na conta de serviços ter sido vítima de um “outlier” (valor atípico) nos dados das contas externas de junho, mas se agarra aos indicadores relativos à indústria, que já estão mostrando desempenhos melhores, para balizar sua análise.

A despesa líquida com serviços de transporte ficou em US$ 389 milhões em junho, contra uma média de US$ 237 milhões mensais de janeiro a maio. Em viagens internacionais, o saldo foi de -US$ 970 milhões, ante média de -US$ 481 milhões nos cinco primeiros meses do ano. E em aluguel de equipamento o mês passado teve saldo negativo de US$ 1,84 bilhão, quando a média nos meses anteriores era de -US$ 1,66 bilhão.

Para o economista-sênior da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, tendo em vista o cenário esperado para os próximos meses, “que contempla a manutenção do real mais fortalecido e a gradual estabilização da atividade”, é provável que os resultados da conta corrente se apresentem menos favoráveis de agora em diante.

O Banco Fator chama atenção em relatório para o fato de que o déficit em conta corrente acumulado em 12 meses ficou em US$ 29,439 bilhões em junho, ante US$ 29,523 bilhões em maio, na primeira piora desde junho de 2015. “A provável reversão da trajetória da atividade econômica e o novo patamar do câmbio devem reduzir o ímpeto do ajuste na conta corrente”, afirma o texto assinado pelo economista-chefe, José Francisco de Lima Gonçalves, acrescentando que, mesmo assim, a conta corrente não será um problema “por vários trimestres adiante”.

O economista da 4E Consultoria Bruno Lavieri também reconhece que o déficit em serviços pode indicar uma recuperação da economia doméstica, que passa a demandar mais serviços do exterior, mas aponta que ainda não é possível bater o martelo sobre essa inferência. “A gente ainda não vê uma recuperação nas importações de bens, então mesmo que esse aumento do déficit significasse uma evidência de melhora na economia interna não é nada muito sólido”, comenta.

Se o déficit nas contas externas pode estar começando a parar de encolher, o investimento direto no País (IDP, ex-IED) continua positivo. O saldo em junho foi de US$ 3,917 bilhões, abaixo da mediana das projeções, de US$ 4 bilhões, e o menor resultado mensal desde fevereiro de 2015. Mesmo assim, a entrada tem sido mais do que suficiente para cobrir o déficit na conta corrente. “Essa é uma tendência que veio para ficar”, diz Lavieri. Pela Focus, a projeção para este ano é de US$ 63,50 bilhões.

Maciel, do BC, informou que o IDP registra saída de US$ 1,7 bilhão em julho até o dia 22, em razão, principalmente, de operação envolvendo bancos. “Tivemos operação no mercado financeiro envolvendo bancos que concentrou esta saída”, comentou. Questionado se a operação de compra do HSBC Brasil pelo Bradesco, finalizada no fim de junho, seria o motivo para o impacto registrado no IDP do mês, o diretor afirmou que a instituição não comenta operações específicas. 
Fonte: Estadao Conteudo

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